A imortalidade de um artista está nas suas mãos, na obra genial que a sua alma ditou;
O conhecimento de si, da sua vida e da sua obra está nas palavras daqueles que insistirem em o manter vivo mesmo depois de já ter partido para além da linha do horizonte.
Este blogue é a minha humilde contribuição para manter viva a genialidade da obra plástica de Mário Augusto e para fazer chegar aos interessados as bases para novos e merecidos trabalhos de investigação.
( Trabalho realizado ao longo do Estágio Curricular na Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves - http://blogdacmag.blogspot.pt/ )
Maria Margarida Sousa
Licenciatura em História da Arte
UNL- FCSH
MÁRIO AUGUSTO DOS SANTOS
"Foi um pintor na verdadeira acepção do termo, um pintor por instinto, por vocação, por impulso da sua vontade, imperativos que a morte inesperada ceifou sem respeito pela evolução ascensional dum talento privilegiado. Autodidacta, fez dessa condição um símbolo das mais nobres energias; serviu a Arte com o desinteresse, o sacrifício, a ânsia de vencer que leva a todos aos triunfos.” (Varela Aldemira, in “Mário Augusto: exposição de Pintura: homenagem póstuma. Lisboa: SNBA, 1942)
sábado, 29 de dezembro de 2012
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
BIBLIOGRAFIA
Monografias
ARTHUR, Ribeiro, Arte e Artistas Contemporâneos, Vol. III,
Lisboa, Ferrin, 1903
FRANÇA, José Augusto, A Arte e a Sociedade Portuguesa no
Século XX, Lisboa, Livros Horizonte, 1972
FRANÇA, José Augusto, Os Anos Vinte em Portugal: Estudo de
factos sócio-culturais, Lisboa, Editorial Presença, 1992
MACEDO, Diogo de, O Período Moderno, in “Arte Portuguesa”,
dir. João Barreira, Edições Excelsior, s.l., s.d.
MALTA, Dulce, Um Século de Pintura e Escultura Portuguesas
(1800-1900), Lisboa, Museu Nacional de Arte Contemporânea, 1961
MATIAS, Maria Margarida Marques, “O Naturalismo na Pintura”,
in História da Arte em Portugal, Vol. XI, M. Rio-Carvalho (dir.), Lisboa,
publicações Alfa, 1986
MIRANDA, Maria Adelaide, História das Artes Plásticas,
Lisboa, Imprensa Nacional- Casa da Moeda, 1991
PAMPLONA, Fernando, “Augusto, Mário” in Dicionário da Pintura
Universal", Vol. III, Lisboa, Editorial Estúdios Cor, 1973
PAMPLONA, Fernando, Dicionário de Pintores e Escultores portugueses
ou que trabalharam em Portugal, Lisboa, Livraria Civilização, 1987
PAMPLONA, Fernando, Um Século de Pintura e Escultura em
Portugal (1830-1930), Porto, Edições Tavares Martins, 1943
PEREIRA, Fernando, A Arte e o Mar, Lisboa, Fundação Calouste
Gulbenkian, 1998
SILVA, Raquel Henriques da, “A Arte sob a referência
naturalista” in Portugal Contemporâneo, António Reis (dir.), Vol. II, Lisboa, Publicações
Alfa, 1989
Catálogos
1º Salão de Estética da Figueira da Foz. [ Catálogo ], Figueira
da Foz, 1940
Catálogo da 30ª Exposição de Pintura- Pastel - Escultura,
Sociedade Nacional de Belas- Artes, Lisboa, 1932
Colecção Anastácio Gonçalves: Catálogo de Pintura, Cerâmica,
Mobiliário, Lisboa, Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, 1984
Exposição de Pintura: Mário Augusto, Homenagem Póstuma,
Lisboa, Sociedade Nacional de Belas- Artes, 1942
FALCÃO, Isabel, Pintura Portuguesa: Casa-Museu Dr. Anastácio
Gonçalves, Lisboa, Casa- Museu Dr. Anastácio Gonçalves, 2003
Mário Augusto. 1895 – 1941. Catálogo, Figueira da Foz, Museu
Municipal Dr. Santos Rocha, 1996
MATIAS, Maria Margarida Marques, Pintura Portuguesa da Coleção
Anastácio Gonçalves, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1979
Jornais
“Mário Augusto. Evocação de um Mestre Pintor Figueirense e
de um Bom e Inolvidável Amigo”, in Jornal: A Voz da Figueira, Figueira da Foz,
22/07/1971
ALMEIDA, Fausto de, Um Grande Artista figueirense: Mário
Augusto, prémio “Silva Porto”, em 1941. Noticias da Figueira (07/06/1941)
BURITY, Braz, Impressões de Arte – VI – Mário Augusto. Um
mestre pintor de que ninguém falou em vida- deixando uma obra que o fará falado
depois de morto, “O Barreiro”, ano X, nº 496, 06/08/1942
CARVALHO, António, “Mário Augusto – Um Artista de Sempre”, em A Voz da Figueira, Figueira da Foz,
17/08/1961
PAMPLONA, Fernando, Belas Artes – Malas Artes: Exposição
Retrospectiva de Mário Augusto – Outras Exposições, “Diário da Manhã”, ano XII,
nº 4021, Lisboa, 11/07/42
Folhetos
ALDEMIRA, Luís Varela, O Pintor Mário Augusto, “In Memoriam
da reabertura do Museu Municipal Dr. Santos Rocha, 1945”, Grupo de Amigos do
Museu Municipal Dr. Santos Rocha, Figueira da Foz, 1947
Estatutos do Círculo Artístico e Cultural Mário Augusto,
Lisboa, Círculo Artístico e Cultural Mário Augusto, 1943
MARTHA, Cardoso, Requiem: à memória do pintor Mário Augusto.
Notícias da Figueira (09/10/1943)
sábado, 24 de novembro de 2012
DOCUMENTOS FOTOGRÁFICOS
Fotografia do local onde nasceu e morreu o Pintor Mário Augusto, em Alhadas. (Figueira da Foz)
Como forma de homenagear o prestigiado artista, os seus conterrâneos atribuíram a uma das principais ruas de Alhadas, o nome do pintor Mário Augusto.
Em 2001, a Câmara Municipal da Figueira da Foz coloca o busto, em bronze, do artista, perto da Escola EB 2/3 Pintor Mário Augusto.
Fotografia da lápide funerária do artista, sepultado no Cemitério de Alhadas.
Retrato, sem data, do pintor, escolhido pelos familiares para o imortalizar na lápide da sua sepultura
Retrato de Mário Augusto (com cerca de 20 anos ) e o seu Auto-retrato. São nítidas as semelhanças na postura, no vestuário e na expressão, tendo sido provável a utilização desta fotografia como modelo para a obra, embora o artista pareça ligeiramente mais velho no auto-retrato.
Fotografia actual de uma vista da Praia da Figueira da Foz, pintada com a mestria do artista, em 1935, na obra acima apresentada.
Fotografia actual de paisagem alhadense, marcada pela presença muito característica das abóboras.
Em baixo uma das pinturas de Mário Augusto, que tão bem retratou a sua terra natal, quer pela intensidade dos tons, da natureza vista nas suas particularidades e na harmonia dos seus elementos típicos, datada de 1931, na qual ganham relevo, no canto inferior direito,as típicas abóboras da sua terra.
Em cima, fotografia de um pormenor de um caminho rural de Alhadas, também retratado por Mário Augusto na pintura abaixo, onde é possível observar a diversidade de vegetação, principalmente a presença das piteiras, cactos bem característicos da zona.
domingo, 18 de novembro de 2012
BIOGRAFIA DO PINTOR MÁRIO AUGUSTO
Fotografia: Pintor Mário Augusto a pintar no paredão da Figueira da Foz, s/ data (1935 ?)
Infância e Juventude em
Alhadas
Mário Augusto dos Santos nasce a 23 de Julho de 1895, em Alhadas, uma
povoação do concelho da Figueira da Foz, onde passará a infância e parte
da juventude.
Durante esse tempo ajuda o pai no trabalho de carpintaria e, simultaneamente, vai desenvolvendo o gosto pelo desenho, aproveitando todos os tempos livres para se dedicar
aos seus rascunhos, copiando postais e fotografias. Aliás, será esta forte paixão pelo desenho que o levará a decidir
deixar Alhadas, em busca de novas aprendizagens, de uma oportunidade de
pintar e (quem sabe?) de se afirmar como pintor. A saída da terra natal, que lhe era tão
querida, permite-nos concluir que Mário Augusto tinha já consciência de alguns dos objectivos que perseguiria até ao fim da sua vida: aprender, adquirir cada vez mais conhecimentos
e desenvolvê-los de forma a poder pintar com mestria.
Partida para Lisboa,
para estudar
Embora não haja muita informação
sobre este período, alguns documentos permitem-nos concluir que em 1911 – com
16 anos - Mário Augusto se encontrava em Lisboa, trabalhando durante o dia numa
oficina de carpintaria e estudando de noite, na Escola Industrial Machado de Castro.
Apesar de muito ocupado, o gosto pela pintura impõe-se constantemente a Mário Augusto e os seus dotes revelam-se de tal forma, que alguns amigos lhe conseguiram a protecção do
artista António Conceição Silva (1869-1958) que aceita de bom grado tornar-se seu
mestre, dando-lhe lições de desenho e pintura, as quais Mário Augusto apreende
com toda a dedicação, funcionando como estudos preparatórios para o seu ingresso na
Escola de Belas Artes em Lisboa.
Ao ingressar neste curso, regido por Ernesto Condeixa (1858-1933), conhece Luís Varela Aldemira (1895-1975), que se tornará o amigo inseparável e o acompanhará até ao final da sua vida.
Ao ingressar neste curso, regido por Ernesto Condeixa (1858-1933), conhece Luís Varela Aldemira (1895-1975), que se tornará o amigo inseparável e o acompanhará até ao final da sua vida.
Além do seu papel essencial como mestre,
Conceição Silva terá também tido um papel fundamental no reconhecimento das
habilidades técnicas e artísticas do seu discípulo, recomendando-o a pessoas
que o pudessem ajudar materialmente. Surge, assim, a figura do benemérito Nicolau dos
Santos Pinto, que lhe concede durante algum tempo uma pensão, e que o levou consigo numa viagem de negócios a Madrid, em 1914. Durante a estadia de 4 meses,
em Madrid, Mário Augusto visitou museus, apreciou e copiou as obras dos Grandes
Mestres, e deslumbrou-se de tal modo com os quadros de Velasquez, que o passaria a considerar como o seu maior ídolo.
Estudos no Porto
De regresso a Portugal volta a
Lisboa, mas permanece aí por pouco tempo. Sabemos que no ano lectivo de 1916/17 está
matriculado na Escola de Belas Artes do Porto, ficando durante algum tempo naquela cidade. No entanto, teve oportunidade de conhecer João Marques de Oliveira
(1853-1927), de quem foi aluno, e Henrique Medina e Rogério de Andrade, de quem
foi colega. Após a conclusão do Curso Geral de Belas Artes no Porto, tentou
matricular-se no Curso Superior de Pintura da mesma Escola, formação que
nunca concluiu. Problemas de várias ordens, entre eles dificuldades económicas, levam-no a pedir transferência para Lisboa, pedido que não lhe foi concedido por problemas burocráticos.
Regresso a Lisboa, como
professor
Regressado à capital, é, graças à
influência de Conceição Silva, nomeado Mestre Provisório de Trabalhos Manuais da Escola Industrial Rodrigues Sampaio,
transferindo-se depois para a Escola Fonseca Benevides, como Mestre de Pintura Decorativa. Acaba por se fixar na Escola António Arroio, onde lhe foi atribuída a categoria de Mestre Efectivo da Oficina de Pintura de Lisos e Fundos e aí permaneceria até ao final da sua vida.
Paralelamente dava aulas
particulares de pintura, e o seu nome faz parte dos registos dos professores de
pintura dos cursos da Sociedade Nacional de Belas Artes.
Ao longo de todo este tempo, Mário
Augusto desenvolve as suas próprias técnicas, começando a salientar-se graças à harmonia
de cores e à delicadeza de estilo, podendo falar-se da passagem para uma fase
adulta da sua pintura. Contudo, até ao final da sua vida nunca deixou de aprender, expressando frequentemente uma enorme vontade de melhorar mais e mais a sua técnica.
A primeira exposição
pública dos seus trabalhos
Expõe pela primeira vez, em Maio de 1920, aquando da “17ª Exposição da
Sociedade Nacional de Belas-Artes”, em Lisboa. Foi premiado com a Menção Honrosa, graças ao Retrato
de Augusto Lopes dos Santos (mais tarde, seu sogro) – considerado o seu
primeiro retrato a óleo. Este seria o primeiro galardão que receberia da S.N.B.A.,
assinando ainda como Mario Santos. Não é conhecida
a reacção do público em relação à sua primeira exposição, contudo o pintor
apercebe-se da importância de dar a conhecer o seu trabalho, participando em
praticamente todas as exposições da S.N.B.A, até ao final dos seus dias.
Salão Bobone
Juntamente com Varela Aldemira e
Fernando David, participam numa exposição, desta vez no Salão Bobone, em 1921,
na qual Mário Augusto expõe vários trabalhos, de qualidade e técnica variada,
desde o retrato, a paisagem e a natureza-morta. No ano seguinte, participa
novamente na exposição do Salão Bobone, juntamente com Varela Aldemira e Mário
Reis. Em 1923, com o Retrato de Conceição Silva,
destaca-se pelo preciosismo e perícia técnica que revela nesta obra.
Principais Prémios
Participa na
22ª Exposição da S.N.B.A., na qual,
graças aos retratos que expõe, recebe a Medalha
de 2ª classe em 1925. Na Exposição
d’Arte no Museu João de Deus, em Lisboa, ganha em 1927, o Diploma e Medalha
de Mérito pela sua participação.
Contudo, o ano de 1931 trazia-lhe a
confirmação do seu valor e das já inegáveis qualidades como pintor: é-lhe
atribuída a 1ª medalha da 28ª Exposição
da S.N.B.A., graças ao Retrato do Pintor Conceição Silva.
Além disso, neste mesmo ano, um dos seus quadros, Raparigas da Minha Terra
seria adquirido pelo Estado para o Museu do Chiado, começando assim, uma nova
etapa para o artista, reveladora do seu amadurecimento como tal.
Estágio no Estrangeiro
Em 1932, a Junta de Educação
Nacional, através do Dr. José de Figueiredo, concede-lhe uma bolsa de estágio,
a fim de frequentar alguns centros de estudo no estrangeiro. Neste estágio com
duração de dois meses, Mário Augusto visita Marrocos, Paris, Londres, Bruxelas
e Espanha, passando pelos principais museus e centros de formação académica. O
pintor apresenta na 30ª Exposição da
S.N.B.A., em 1933, os seus apontamentos de viagem como é o caso das obras: Rue
de la Voie Verte e Charing Cross, actualmente expostas
na Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves (Lisboa).
As marcas desta viagem, contribuíram
certamente para o alargamento do seu ecletismo e uma nova atitude artística,
contudo Mário Augusto embrenha-se com profundidade nos locais que
frequentemente visita: Caldas da Rainha, Cacém, Figueira da Foz e, claro está,
Alhadas, entre outros lugares, transpondo para a pintura a ambiência desses
espaços.
Maturidade artística
O ano de 1935, torna-se fundamental na divulgação da sua arte,
participando: na 33ª Exposição da
S.N.B.A., 1ª Exposição de Arte
Retrospectiva da S.N.B.A. (é escolhida a obra O Latoeiro), em 1937; Salon de Arte do Estoril, em 1938, onde
obterá o primeiro prémio com a obra Izaura. No ano de 1941, Mário
Augusto expõe na 38ª Exposição da S.N.B.A.
e, graças ao Retrato da EXMª Senhora Condessa de Pinhel, é-lhe atribuído o Prémio Silva Porto, isto é, o galardão
máximo de então, paralelamente à Medalha
de 1ª Classe no Pastel que recebe com aquele que se considera ser o seu
último retrato, conhecido por Retrato de minha mulher.
Morte precoce e
homenagens
Pouco tempo depois de receber este prémio, Mário Augusto dos Santos
desloca-se até à sua terra natal, onde acaba por falecer a 18 de Agosto de
1941, tuberculoso. Não tardariam a espalhar-se um pouco por todo o país,
homenagens com o intuito de recordar, com emoção, a sua obra.
Em
homenagem, é criado em 1942, o Círculo
Artístico Mário Augusto, que pretendia continuar o trabalho desenvolvido
pelo artista, como afirma o seguinte comunicado do grupo: “Fomos buscar principalmente a Mário Augusto o exemplo, a sua fé
inquebrantável, a alma de artista que alcandorou à eminência dum dos melhores
pintores contemporâneos. Esta pretende ser a casa para o principiante, tanto
como para o Mestre; para o que ensina e para o que se aperfeiçoa; tanto como
para o que trabalha simplesmente porque ama a Arte.”
O Círculo organiza, no mesmo ano, a Exposição de Pintura- Homenagem póstuma ao Pintor Mário Augusto, na
S.N.B.A.. No Museu Municipal Dr. Santos Rocha, desde 1945, pode ser visitada a Sala Mário Augusto, onde, em local
digno, se podem observar grande parte das obras do artista.
Mais tarde, em 1995, foi atribuído o seu nome a uma rua na
cidade da Figueira da Foz e, no ano de 1996 decorreu a Exposição Retrospectiva de Mário Augusto (Museu Municipal Dr.
Santos Rocha – Figueira da Foz), no âmbito das comemorações do centenário do
nascimento do Pintor, exposição de grande importância no reconhecimento desta
digna personalidade figueirense.
Dados recolhidos de várias fontes bibliográficas, sendo a principal o Catálogo da Exposição Retrospectiva de Mário Augusto, Museu Municipal Dr. Santos Rocha, Figueira da Foz, 1996
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
PENSAMENTOS E HOMENAGENS
REQUIEM EM MEMÓRIA DO PINTOR MÁRIO AUGUSTO
"De chofre, alguém me disse:
-Morreu o Mário Augusto;
E fiquei triste, amigo,
Acreditando a custo
E recordando esse convívio antigo
Em que os dois conversámos de tudo
E até de Arte, da tua amante preferida,
Ainda, meses atrás,
Foras a minha casa
Levar-me um quadro teu
Que, no meu gabinete de trabalho,
É como que uma brasa
Acesa num fogão que se apagou;
Recordação vivaz
Da mão que o pintou
E alegremente vinha
Ao encontro da minha.
Lembrou-me a tua voz baixa e roufenha
Tua pupila azul,
O arcaboiço de rija construção
Mais a face sanguínea
Onde ninguém – concedo-
Podia adivinhar
A mão febril que te afastou tão cedo.
Depois pensei melhor;
E vi que, mais do que eu, tinhas ganhado
Em sair do refúgio
Desse teu coração, sempre ansioso
De voar, de voar
Para alcançar o ponto da partida,
E sempre, enfim, sujeito
Aos conflitos misérrimos da vida,
Para dentro do Imenso Coração
Que na margem de além do largo rio
Profundo e negro e frio
Acolhe com desvelo maternal
Aqueles que, como tu, amaram e sofreram
- quinhão cruel da dor universal.
Recebeste o baptismo, em feliz hora,
Dos que a grandes efeitos se destinam
O teu sangue e teus nervos
Sentiram a beleza inspiradora.
Tu misturavas quatro ou cinco tintas
De grosseira matéria, opaca e gorda,
No oval da paleta envernizada;
E o opaco era etéreo e transparente
E o grosseiro era fluído e alvorecido,
Como em céu pluvioso
As hialinas cores do arco-íris.
E que o pincel, amigo bem-fadado,
Molhava-lo nos olhos,
Olhos do corpo e alma
- a tua alma infantil –
E na tua vontade insatisfeita.
Dentro dum mundo hostil
Que a outros nada diz,
Recolhido a outro mundo que criança,
Agora retraído, logo ousado,
Logo contemplativo e ensimesmado,
Assentaste arraiais
Num castelo de sonho
Onde outros sonhos eram almearas,
Torre de que só tu tinhas a chave;
Outras vezes, porém,
Armavas tenda em legendárias ilhas
Onde achavas estranhas maravilhas.
Eras como criança vã, que se entretém
A apanhar flores p’ra lhes sugar o mel
E a ver o mar numa pocinha de água
E barcos em bocados de papel.
Tu, nascido em aldeia assoalhada,
De festões e verduras enfeitada
Serias um rapsodo da paisagem
Em que te era grato repousar
Os olhos, como um homem que os repousa
Na mulher entre todas preferida.
Ela dentro de ti se reflectia,
Fosse a réstea de sol sobre um casebre,
A volta de um atalho, um pátio alegre,
Um ribeiro cantante, a lua atrás dum cêrro,
A saudável aldeã, a horta, o cavador,
Um amoroso par, ruidosa romaria,
O voo duma abelha a procurar a flor
E um não sei quê secreto, e vago, e inexprimível,
Que o entendias tu, e mais ninguém sabia.
Tu amavas as árvores antigas,
Que dão fruto e frescura,
Companheiras e amigas
Vestidas de asas quando a primavera
Chega, e de frutos ao entrar do outono;
Tu amavas as árvores que enfeitam
Os campos, as estradas, as montanhas,
Umbrosas como as nuvens
E o profundo dos vales;
Tu, nas sombras nocturnas, recolhias
As notas fugidias
Do soturno gemer da alma das coisas,
Eterno Prometeu agrilhoado
Buscando libertar-se e ascender
À vida deslumbrante do além-ser…
Mas, a meio do caminho,
Chegara, finalmente a tua hora.
Viveras o teu dia… E, de mansinho,
Pé-ante-pé, foi-se-te a alma embora…
Não morreste: partiste
- quem fala aqui em morte? –
Os mortos não viajam, como tu
Viajaste entre esferas luminosas,
A infinita coorte
Das formas deslumbrante e singelas,
Até que, concluídas as idades,
Passarás mais além, que além delas.
Desceste, acaso, ao que é treva p’ra alguns,
Ou subiste do leito mortuário
À escala de Jacob, que leva as almas
À ciência absoluta da Verdade?
Tu foste iniciado
No segredo inviolado,
No sentido profundo, sigilar,
De que nenhum vivente nada sabe
E contemplaste a face nunca vista
Do construtor dos mundos.
Vives agora ao pé do Eterno Bem,
Onde não chegam os rumores da terra;
Escutas o pulsar do Universo
Que entre os vivos não ouve mais ninguém,
Que os sábios não penetram
E que pode moldar-se em prosa ou verso.
Tu, que nada sabias
E que tanto nos davas;
Tu, que nem sequer tinhas consciência
Do engenho que te coube,
Artista saudoso,
E por simples instinto, joeiravas
O trigo e a sizânia,
Invadiste ansioso
O vedado pomar dos sonhos belos
E tens aberto agora aos olhos deslumbrados
O livro universal dos sete selos.
E tu sentes-te bem
Dissolvido na bruma do Não-Ser
E queres dormir aí, no campo-santo
Humilde dessa aldeia,
Onde sorriste ao teu primeiro sol;
E tu sentes-te bem,
Tu, que foste um amigo
Da luz, da cor, do que é paixão e vida;
E tu sentes-te bem no grito eterno
Da Eterna Claridade,
Já ressequida a última saudade…
E agora, quando acaso conversares
Com os teus companheiros
De eterna glória e de silêncio eterno,
Daqueles que, como tu, interromperam
A mensagem um dia confiada,
Não te lembres do mundo, se ainda sentes
A fauna obscura que te morde os ossos;
Lembra-te só de nós, dos que te amaram
E que por ti conservam
Perpetuamente acesa
A lâmpada fiel da devoção;
E espera um pouco o pouco que nos resta
Para remir imperfeições e erros
E acabarmos de arrastar os ferros
Desta odiosa e iníqua servidão."
Cardoso Martha, em Requiem em Memória do Pintor Mário Augusto, in "Notícias da Figueira" - Figueira da Foz
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Mário Augusto, "cuja sensibilidade captava as radiações mais subtis das coisas simples, e nascera com o talento admirável de as exprimir com a graça imorredoira do desenho perfeito e com o sortilégio das tintas feiticeiras."
Joaquim de Carvalho, em "In Memoriam da Reabertura do Museu Municipal Dr. Santos Rocha", Figueira da Foz
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Mário Augusto, "cuja sensibilidade captava as radiações mais subtis das coisas simples, e nascera com o talento admirável de as exprimir com a graça imorredoira do desenho perfeito e com o sortilégio das tintas feiticeiras."
Joaquim de Carvalho, em "In Memoriam da Reabertura do Museu Municipal Dr. Santos Rocha", Figueira da Foz
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"... na rica e excelente camaradagem deste pintor discípulo de si mesmo, simples de maneiras, modesto no trato e orgulhoso da sua arte, dos seus quadrinhos que não vendia, remirando-se neles quando se deitava, erguendo-se de noite para os tornar a ver, apalpando-os, acariciando-os com ternura, por vezes, abandonando-os de pernas para o ar, sobre cadeiras e os móveis, em acessos de estranho sonanbulismo..."
Varela Aldemira, extraído de Mário Augusto: Exposição de Pintura: Homenagem Póstuma, Lisboa: SNBA, 1942
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quarta-feira, 14 de novembro de 2012
CRONOLOGIA
1911/12 - Matricula-se na Escola de Belas Artes de Lisboa
1914 - Visita Madrid, durante 4 meses, onde frequenta os museus mais conceituados, como é o caso do Museu do Prado
1916/17 - Frequenta a Escola de Belas Artes do Porto
1920 - Participa pela primeira vez numa exposição - "17ª Exposição da SNBA" (inaugurada a 1 de Maio)-expondo dois dos seus primeiros quadros a óleo: Retrato de Mademoiselle M.A.F.P.(sua prima e futura mulher) e Retrato do Exmº. Sr. A.L.S.( seu tio, Augusto Lopes dos Santos) e logo obtém uma "Menção Honrosa"
1921 - Participa, no Salão Bobone, na "Exposição Fernando David - Varela Aldemira - Mário Santos. Pintura e Desenho". Aqui apresentou catorze trabalhos, que se distribuem pelo retrato e a figura, pela paisagem e a natureza-morta.
1922 - Participa também no Salão Bobone, na "Exposição de Pintura, Desenho, Pastel e Água-forte. Mário Reis - Varela Aldemira - Mário Santos", apresentando ao público doze óleos e seis pastéis.
1923 -Participa no Salão Bobone com o Retrato de Conceição Silva
1924 - Participa na "21ª Exposição da SNBA" com o Retrato de Eugenio Correia, obtendo a "Medalha de 3ª classe"
1925 - Expõe o Retrato de Camilo Castelo Branco, na Livraria Ferreira
- Participa na "5ª Exposição de Arte na Misericórdia do Porto", com 26 trabalhos
- Participa na "22ª Exposição da SNBA", onde obtém a "Medalha de 2ª classe"
- Viaja por Marrocos, Paris, Londres, Bruxelas e Espanha na companhia de amigos
1926 - Expõe na "23ª Exposição da SNBA", com obras associadas a aspectos de Alhadas, com destaque para a natureza-morta Abóboras e o Retrato de Mme.S.N.
- Participa na "V Exposição das Caldas da Rainha", onde obtém Medalha de Ouro e Diploma
- Apresenta-se na "24ª Exposição da SNBA"
1928 - Expõe na "25ª Exposição da SNBA"
1930 - A 29 de Junho casa com Maria Augusta Franco Santos (sua prima)
1931 - É-lhe atribuída a "1ª Medalha" na "28ª Exposição da SNBA", graças ao Retrato do Pintor Conceição Silva.
- A obra Raparigas da Minha Terra será adquirida pelo Estado para o Museu de Arte Contemporânea (Museu do Chiado)
1932 - Participa na "29ª Exposição da SNBA" com 6 trabalhos
- Obtém bolsa de estágio pela Junta de Educação Nacional (iniciativa do Dr. José de Figueiredo), para frequentar centros de estudo no estrangeiro - em dois meses visita Paris, Londres, Bélgica (Bruxelas, Antuérpia e Gand) e Madrid.
1933 - Participa na "30ª Exposição da SNBA", com vários trabalhos, incluindo a obra O Latoeiro e impressões da viagem realizada no ano anterior.
1934 - Expõe na "31ª Exposição da SNBA"
1935 - Participa na "32ª Exposição da SNBA"
- Expõe na "Exposição de Motivos de Lisboa"
1936 - Participa na "33ª Exposição da SNBA", com Izaura e O Tio Inácio.
1937 - Expõe na "1ª Exposição de Arte Retrospectiva"
- Integra a "1ª Exposição de Pintura, Desenho e Aguarela" em Lourenço Marques (Maputo)
1938 - Participa no Salon de Arte do Estoril, onde obtém o 1º prémio com a obra Izaura
1939 - Expõe na "36ª Exposição da SNBA"
1940 - Participa no I Salão de Estética da Figueira da Foz
-Está representado na Inauguração do Museu Malhoa onde são expostas obras suas
1941 - Ganha o prémio Silva Porto com o retrato de Exma Senhora Condessa de Pinhel, na "38ª Exposição da SNBA". E obtém a medalha de 1ª classe no pastel com Retrato de minha mulher
- Morre em Alhadas (18 de Agosto)
terça-feira, 23 de outubro de 2012
GALERIA DE OBRAS
"Ora, em Mário Augusto, vão-se encontrar carros de bois, os tipos populares, as paisagens campesinas e ribeirinhas ou os seus trechos nas diferentes variantes.(...) As figuras e os tipos populares do seu país (...) pertencem ao reportório do artista. Igualmente as naturezas-mortas, frutos naturais e "saborosos" da mãe-terra, não podiam escapar à atenção da retina naturalista ar-livrista do pintor:"
Maria Margarida Marques Matias, Mário Augusto - um pintor naturalista, in Mário Augusto (1895-1941): Catálogo, Museu Municipal Dr. Santos Rocha. Figueira da Foz, Câmara Municipal, 1996
Retrato de Joaquim Augusto dos Santos
Desenho a carvão sobre papel
675 x 510 mm
Assinado: Mario Augusto Santos
Datada: Alhadas / 1910
Col. Maria Elisa Santos Pestana, Alhadas
Retrato de António Augusto Gaspar
Desenho a carvão sobre papel
520 x 420 mm
Assinado: Mario A. dos Santos
Datado: 1911/ Alhadas
Col. Museu Municipal Dr. Santos Rocha, Figueira da Foz
Retrato de homem
Desenho a carvão sobre papel
600 x 485 mm
Assinado: Mario Augusto dos Santos, Alhadas
Datado: 1911
Col. Museu Municipal Dr. Santos Rocha, Figueira da Foz
Estudos de cabeças humanas com paleta isolada
Desenho a lápis e carvão sobre papel
155 x 155 mm
Assinado: Mario Santos
Datado: 1914
Col. Museu Municipal Dr. Santos Rocha
Estudo: aspecto de Madrid
Desenho a lápis sobre papel
215 x 160 mm
Não assinado
Datado: 25 de Março de 1914
Col. Museu Municipal Dr. Santos Rocha
Estudo de interior: sala de jantar
Desenho a carvão sobre papel
220 x 160 mm
Não assinado
Datado: 29 de Março de 1914
Col. Museu Municipal Dr. Santos Rocha
Estudos vários: figuras humanas e cadeira
Desenho a lápis sobre papel
220 x 160 mm
Não assinado
Datado: Madrid / 28 de Abril de 1914
Col. Museu Municipal Dr. Santos Rocha
Retrato de Maria Santos (Maranhas) - avó de Mário Augusto
Desenho a carvão sobre papel
640 x 495 mm
Assinado: M.Santos
Datado: Madrid Maio 1914
Col. particular
Eira da Sra. Maria
óleo sobre madeira
170 x 105 mm
Assinado: Mario Santos
Datado: Alhadas 27-6-1915
Retrato de Ana Nunes Lemos
Desenho a carvão sobre papel
600 x 500 mm
Assinado: Mario Santos
Datado: Lisboa 1915
Col. particular
Retrato de Guilhermina Barros Santos
óleo sobre papel
300 x 225 mm
Assinado: Mario Santos
Datado: Alhadas 1915
Col. particular
Retrato de Caetana Santos
Desenho a carvão sobre papel
710 x 550 mm
Assinado: Mario Santos
Datado: 13-1-1916
Col. Museu Municipal Dr. Santos Rocha
Retrato de João Braga
óleo sobre cartão
240 x 190 mm
Assinado: Mario Santos
Datado: 1916
Col. particular
Retrato de Benvinda dos Santos Silva
Desenho a carvão sobre papel
550 x 440 mm
Assinado: Mario Santos
Datado: 1917
Col. Museu Municipal Dr. Santos Rocha
Canto do sr. Mário
óelo sobre tela
285 x 190 mm
Assinado: Mario Santos
Datado: 1918
Col. particular
Retrato de José Maria Silva
Desenho a carvão sobre papel550 x 440 mm
Assinado: Mario Santos
Datado: 1918
Col. Museu Municipal Dr. Santos Rocha
Jardim da Estrela
óleo sobre madeira
230 x 300 mm
Assinado: Mario Santos
Datado: 1919
Col. particular
Estudos de figuras humanas
Desenho a lápis sobre papel
215 x 160 mm
Assinado: M. Santos
Datado: Foz (9-6-1920
Col. Museu Municipal Dr. Santos Rocha
Retrato de António Augusto Rebelo
Desenho a carvão sobre papel
650 x 500 mm
Assinado: Mário Augusto dos Santos
Datado: 1921
Col. particular
Retrato de Augusto Lopes dos Santos (sogro do artista)
óleo sobre tela
69 x 560 mm
Assinado: Mario Santos
Não datado
Col. Museu Municipal Dr. Santos Rocha
Pátio
óleo sobre madeira
160 x 220 mm
Assinado: Mario Santos
Datado: 1921
Col. particular
Retrato de Melle. M.C.S.
Desenho a pastel sobre papel
380 x 300 mm
Assinado: Mario Santos
Datado: 1922
Col. Museu Municipal Dr. Santos Rocha
Retrato do Mestre A. Conceição Silva
óleo sobre tela
460 x 380 mm
Assinado: Mario Santos
Datado: 1923
Col. Museu Municipal Dr. Santos Rocha
O Mercado da Ribeira
óleo sobre madeira
355 x 390 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1924
Col. Museu de Grão Vasco, Viseu
Retrato de Francisco Jorge Quadros
óleo sobre tela
600 x 500 mm
Assinado: Mario Santos
Datado: 1924
Col, Museu Municipal Dr. Santos Rocha
Retrato do Pintor Carlos Moura
óelo sobre tela
610 x 500 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1924
Col. Museu Municipal Dr. Santos Rocha
Várzea das Alhadas
óleo sobre madeira
240 x 160 mm
Não assinado
Não datado
Col. Museu Municipal Dr. Santos Rocha
Retrato de Joaquim Quadros
Desenho a sépia sobre papel
440 x 320 mm
Assinado: Mario Santos
Não datado
Col. particular
Retrato de Virgínia Barros Santos
óleo sobre tela
340 x 280 mm
Assinado: Mario Santos
Não datado
Col. particular
Retrato de D.M.J. Conceição Silva
óleo sobre tela
840 x 770 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1925
Col. Museu Municipal Dr. Santos Rocha
Retrato de Carlos Moura
Desenho a lápis sobre papel
190 x 140 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1925
Col. Museu de José Malhoa, Caldas da Rainha
Retrato de Fortunato A. Silva Nunes
Desenho a sépia sobre papel
610 x 500 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1926
Col. Museu Municipal Dr. Santos Rocha
Rio Jamor
óelo sobre tela colada em cartão
314 x 197 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1926
Col. Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, Lisboa
O Rio Jamor
óleo sobre tela colada em cartão
295 x 200 mm
Assinado: Mario Augusto
Datado: 1926
Col. Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, Lisboa
Lavadeira
óleo sobre tela
375 x 245 mm
Assinado: Mario Augusto
Datado: 1927
Col. Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, Lisboa
A Rapariga da bilha
óleo sobre madeira
370 x 295 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1927
Col. Museu Municipal Dr. Santos Rocha
Maiorca
óleo sobre madeira
274 x 222 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1927
Col. Casa dos Patudos, Alpiarça
A couve
óleo sobre tela
510 x 410 mm
Não assinado
Não datado
Col. Museu Municipal Dr. Santos Rocha
Raparigas das Alhadas
óleo sobre madeira
400 x 320 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1930
Col. Museu do Chiado, Lisboa
Barcarena
óelo sobre madeira
240 x 190 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1930
Col. Museu de José Malhoa, Caldas da Rainha
Casal da Várzea
óleo sobre cartão
285 x 370 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1931
Col. Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, Lisboa
Estábulo
óleo sobre madeira
275 x 350 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1931
Col. Particular
Retrato do Pintor Conceição Silva
óleo sobre tela
660 x 800 mm
Não assinado
Não datado
Col. Museu de José Malhoa, Caldas da Rainha
À Tarde
óleo sobre cartão
300 x 395 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1932
Col. Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, Lisboa
Alhadas
óleo sobre madeira
140 x 280 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1932
Col. Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, Lisboa
Os cactos
óleo sobre madeira
270 x 140 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1932
Col. Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, Lisboa
O Latoeiro
óleo sobre tela
620 x 460 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1932
Col. Museu Municipal Dr. Santos Rocha, Figueira da Foz
Londres (Charing Cross)
óleo sobre madeira
240 x 391 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: Londres 1932
Col. Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, Lisboa
Paris (Rue de la Voie Verte)
óleo sobre madeira
245 x 220 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: Paris 1932
Col. Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, Lisboa
A Fundição de Bronze
óleo sobre madeira
150 x 100 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1934
Col. particular
Miragem da Doca (Figueira da Foz)
óleo sobre madeira
405 x 330 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1934
Col. Museu Municipal Dr. Santos Rocha
Alhadas
óleo sobre tela
320 x 410 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1935
Col. Galeria Antiks Design, Lisboa
Retrato de D. Florinda Santos
óleo sobre tela
1000 x 860 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1934
Col. Museu Municipal Dr. Santos Rocha
Aveiro
óleo sobre madeira
104 x 154 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1935
Col. particular
Fonte Cainha
óleo sobre madeira
170 x 230 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1935
Col. particular
Izaura
óleo sobre tela
510 x 400 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1935
Col. Museu Municipal Dr. Santos Rocha
Praia da Figueira da Foz
óelo sobre cartão
263 x 348 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1935
Col. Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, Lisboa
Pátio da loja do António
óleo sobre madeira
125 x 200 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1937
Col. particular
O Arieiro
óleo sobre madeira
148 x 143 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1938
Col. Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, Lisboa
Pátio da aldeia (Alhadas)
óleo sobre madeira
330 x 410 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1938
Col. Museu do Chiado, Lisboa
A Ribeira do Papel (Cacém)
óleo sobre madeira
540 x 360 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1938
Col. Museu Municipal Dr. Santos Rocha
Couve-flor e fruto
óleo sobre madeira
230 x 175 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1939
Col. Museu Municipal Dr. Santos Rocha
O pateo do Namora (Alhadas)
óleo sobre madeira
335 x 420 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1939
Col. particular
Retrato de José Manuel Cordeiro de Mattos
Desenho a pastel sobre papel
475 x 380 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1939
Col. particular
Retrato de Oliveira Salazar
óleo sobre tela
750 x 650 mm
Não assinado
Não datado
Col. Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa
Natureza morta
óleo sobre tela
245 x 330 mm
Assinado: MARIO A
Datado: 1940
Col. Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, Lisboa
Retrato da Exmaª Senhora Condessa de Pinhel
óleo sobre tela
1010 x 830 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1941
Col. Museu Municipal Dr. Santos Rocha
Retrato de minha mulher
Desenho a pastel sobre papel
575 x 480 mm
Assinado: MARIO AVGVSTO
Datado: 1941
Col. Museu Municipal Dr. Santos Rocha
Alhadas
óleo sobre tela
660 x 1020 mm
Não assinado
Não datado
Col. particular
Auto-retrato
óleo sobre tela
850 x 620 mm
Não assinado
Não datado
Col. particular
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